Fisioterapia na Dor Pélvica Crônica Masculina

1 de agosto de 2020

De acordo com os Guidelines da European Association of Urology (EAU) [1], a Dor Pélvica Crônica (DPC) é uma dor, pressão ou desconforto crônico em estruturas relacionadas a pelve, períneo ou genitália, com duração maior que seis meses, contínua ou recorrente, relacionada a processos inflamatórios ou infecciosos e pode estar associada a sintomas do trato urinário inferior (frequência, urgência,  urge-incontinência, sensação de resíduo pós miccional).

A prevalência desta disfunção  pélvica  difere entre os gêneros, com incidência de 19% nas mulheres e 12% nos homens (Latthe et al, 2006).

Com a autoperpetuação do estímulo periférico, responsável pela origem da dor crônica, na ausência de um processo inflamatório ou infeccioso, ocorre uma modulação no sistema nervoso central  que,  associado a uma coleção de fenômenos sensoriais, funcionais, comportamentais e psicológicos, forma a base diagnóstica da Síndrome da Dor Pélvica Crônica  (Fall M et al, 2010). A neuroplasticidade que ocorre no corno posterior da medula espinhal, as alterações bioquímicas e metabólicas desencadeadas pelos estímulos nociceptivos podem gerar alterações funcionais, promover a síndrome miofascial e a geração de novos pontos de dor. [3]

A Síndrome da Dor Pélvica Crônica  é uma condição de dor que, no homem, pode causar consequências no sistema urológico, gastrointestinal, musculoesquelético, com impacto negativo na qualidade de vida geral e na atividade sexual. No sistema urológico, classifica-se a Síndrome da Dor Pélvica Crônica Urológica , subdividida em Síndrome da Dor Prostática / Síndrome da Dor Pélvica Crônica  e Síndrome da Dor Vesical . (MAPP Research Network, 2011).

A SDP/ SDPC caracteriza-se pela presença de dor na região da próstata, na ausência de outras patologias do trato urinário inferior , por mais de seis meses, e a dor frequentemente é reportada no períneo, reto, pênis, testículo e abdômen, associada a sintomas do trato urinário inferior, com impacto social, psicológico e na sexualidade. (EAU, 2016)

A Síndrome da Dor Vesical caracteriza-se pela presença de sintomas miccionais, como a frequência, urgência, hesitância, sensação de resíduo pós-miccional, noctúria e disúria, na ausência de patologias do trato urinário inferior, associados ou não a sintomas de dor pélvica, dor perineal e dor lombar. A incidência relacionada aos gêneros é de 10:1 (mulher: homem). (EAU, 2016; Lai HH et al. A MAPP Research Network, 2011) . Como a Síndrome da Dor Pélvica Urológica  é multifatorial, há a necessidade de tratamentos interdisciplinares que incluem médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, entre outros.

Em relação a atuação da fisioterapia, a avaliação fisioterapêutica é realizada através de uma anamnese completa, avaliação dos sintomas pélvicos , avaliação física e funcional, com a identificação de pontos-gatilhos miofasciais e avaliação postural, com o objetivo de traçar um tratamento individualizado e efetivo. (Fall et al. 2010)

O tratamento fisioterapêutico recomendado inclui a utilização de Biofeedback associado a exercícios de relaxamento dos músculos do assoalho pélvico (Koh et al 2008; Cornel et al, 2005) e manobras de dissolução de pontos-gatilho miofascial (Fitzgerald et al, 2013). A presença de dor e de pontos gatilhos miofasciais em grupos musculares que tem conexão a região pélvica mostra a necessidade de não limitar o tratamento aos músculos do assoalho pélvico [2]

Segundo os Guidelines da EAU, a fisioterapia é recomendada para os pacientes com SDPCU, pois trata-se de um tratamento conservador, não invasivo, sem efeitos colaterais, facilitando a aderência pelo paciente.

 

Referências Bibliográficas     

Engeler D, Baranowski AP, Borovicka J, et al. Guidelines on Chronic Pelvic Pain Limited Update. Arnhem: European Association of Urology; 2018.

 

Cervero F, Laird JM. Understanding the signaling and transmission of visceral nociceptive events. J Neurobiol. 2004 Oct;61(1):45-54.

 

Cornel EB, van Haarst EP, Schaarserg RW, et al. The effect of biofeedback physical therapy in men with chronic pelvic pain syndrome type III. Eur Urol 2005 May;47(5):607-11.

 

Fitzgerald MP, Anderson RU, Potts J, et al. Randomized multicenter feasibility trial of myofascial physical therapy for the treatment of urological chronic pelvic pain syndromes. J Urol 2013 Jan;189(1 Suppl):S75-85.

 

Texto produzido por:

 Mariane Castiglione – Fisioterapeuta 

 Claudia Hacad – Fisioterapeuta               

            

 

Postado em Homem, Mulher, Notícias por Ana Claudia Crotti | Tags: , , ,