Atuação e perspectivas da fisioterapia pélvica no ambiente hospitalar

13 de julho de 2020

 

Atualmente temos um cenário bem amplo para atuação do fisioterapeuta pélvico em diversas facetas, uma delas em ascensão é a atuação da reabilitação pélvica no ambiente hospitalar, precisamente em pacientes internados em enfermarias e em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Os objetivos ainda na UTI são, reduzir as taxas de sonda vesical de demora (SVD) e de alívio (SVA), reduzir a infecção do trato urinário (ITU) , retirar precocemente a SVD, e prevenir precocemente as disfunções urinárias como por exemplo, retenções urinárias e bexigas neurogênicas 1,2. Dentro da enfermaria, o fisioterapeuta especialista tem  o mesmo objetivo, de prevenção de ITU, redução das disfunções urinárias, e encaminhamento precoce, se houver necessidade de atendimentos ambulatoriais.

Segundo referências bibliográficas,  pacientes no pós-operatório de histerectomia radical,  apresentam de 8 a 80 % de complicações na bexiga 3,4 assim como, pacientes paliativos, apresentam constipação intestinal com taxas de prevalência globais variando de 32% a 87%,  5,6além do que, a taxa de crescimento de ITU em pacientes que estão em uso de SVD cresce de um dia de uso (2,5%) para até seis a sete dias de uso (26,9%) 7, ou seja, a taxa aumenta 976% vezes a mais para o risco. Quanto mais tempo este paciente permanece com SVD, mais chance de ter ITU ele apresentará, por isso a atuação do fisioterapeuta pélvico, é de desmamar esta sonda vesical, até que o paciente adquira independência nos seus sistemas : urinário e fecal.

Dentro destes setores, observa-se muito o quadro de constipação intestinal(CI), não só na população paliativa, mas em pacientes pós operatórios de várias áreas. A constipação intestinal crônica, pode –se dar por quatro principais pontos : hemorroidas, impactação fecal, prurido anal e diarreia paradoxal ou transbordamento, 8 é muito importante a investigação também do quadro intestinal nos pacientes em leito. Lembrando que, segue-se primeiro o tratamento diante do que é mais grave para o paciente, e o que possa interferir em seu tempo de alta hospitalar.

Muitos utilizam medicamentos que podem também ser a causa da constipação intestinal,  e da retenção urinária, na qual esta atinge pacientes internados  de 2 a 40 % 9, sendo que suas causas são amplas : desde imobilismo até privação de espaço, de privacidade, ITU, constipação até choque neurológico entre outros 9

                       É  importante frisar que o trabalho do fisioterapeuta em setores amplos como UTIs, e enfermarias só são bem resolutivos quando executado em equipe,  a discussão de caso com a enfermagem, para  programação de micção e programação de passagens de sondas, ou até mesmo o treinamento vesical com SVD , assim como também com a equipe de médicos, atuantes no caso.

Vale lembrar que o maior desafio nestes atendimentos, são as limitações destes pacientes, o quadro grave de disfunções urinárias e fecais que muitos apresentam, e o trabalho diário de mudanças comportamentais pelo quadro de evolução destes.

Por fim, a atuação do fisioterapeuta pélvico vai muito além do treinamento dos músculos do assoalho pélvico, é preciso avaliar caso a caso, priorizar o diagnóstico mais impactante, e trazer qualidade de vida e independência para estes pacientes. Minimizando custos hospitalares, tempo de risco a infecções,s e altas hospitalares 7 mais seguras podendo ou não este paciente dar seguimento em âmbito ambulatorial se necessário.

 

Dalila Duarte – Fisioterapeuta Pélvica

Membro do Comitê Científico da Associação Brasileira Pela Continência BC Stuart

Especialista em Saúde da Mulher e do Homem pela Santa Casa de São Paulo

Responsável pela Equipe de Fisioterapia Pélvica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz- Unidade Paulista.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Kashima K, Yahata T, Fujita K, Tanaka K. Analysis of the complications after radical hysterectomy for stage IB, IIA and IIB uterine cervical cancer patients.J Obstet Gynaecol Res. 2010;36:555–9.
  2. Lee JR, Bang H, Dadhania D, Hartono C, Aull MJ, Satlin M, August P, Suthanthiran M, Muthukumar T. Independent risk factors for urinary tract infection and for subsequent bacteremia or acute cellular rejection: a single-center report of 1166 kidney allograft recipients.Transplantation. 2013;96:732–8.
  3. Plotti F, Angioli R, Zullo MA, Sansone M, Altavilla T, Antonelli E,

Montera R, Damiani P, Benedetti Panici P. Update on urodynamic

bladder dysfunctions after radical hysterectomy for cervical cancer. Crit Rev Oncol Hematol. 2011;80:323–9.

  1. Laterza RM, Sievert KD, de Ridder D, Vierhout ME, Haab F, Cardozo L, van Kerrebroeck P, Cruz F, Kelleher C, Chapple C, et al. Bladder function after
  2. .Clark, K et al . Constipation in Palliative Care: What Do We Use as Definitions and Outcome Measures? Journal of Pain and Symptom Management; Vol. 45 No. 4 April 2013
  3. Larkin PJ, Sykes NP, Centeno C, et al. The management of constipation in palliative care: clinical practice recommendations. Palliat Med 2008; 22(7): 796–807.
  4. Sharma et al, 2019; Yazdansetad et al; 2019; Bork , 2005; Vieira, 2009
  5. Wald A. Chronic constipation: advances in management. Neurogastroenterol Motil 2007 Jan; 19(1): 4-10.
  6. Schreiber et al, 2019; Lee, 2019; Crain, 2019; Fernandes et al, 2007

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado em Homem, Idoso, Mulher, Notícias por Ana Claudia Crotti | Tags: , ,